sexta-feira, 28 de julho de 2017

DEU PRA TI






Tanta proteção te fez feliz
Mas, não te fez homem,
Não te fez dono de si
Não te deu o pão
Nem te ensinou a semear qualquer alegria
Bastavam-te pequenas doses
Agora não há o que germinar,
Muito menos o que colher,
Fez de ti um recluso, quieto,
Não há coração,
não há multidão que te acompanhe
Solitário, limitado,
A luz no horizonte a farolete
Sol feito luz de geladeira
Noites eterno glaciais
Não há palavras gentis
Nem pensamentos que agreguem
Sem boas intenções
Nem atitudes,
Não há boas reações,
Pés, mãos e coração gelados
Sociais etiquetados abraços
Rótulos amarelados
Ideias de muito e só de antigamente
Refrão, chavão da vida inteira
Janelas fechadas, da casa e da alma, sem ar,
Ideias também deterioram, expiram, ultrapassam...
O que não se renova, se enterra...

Vera Celms
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domingo, 23 de julho de 2017

PARA O CORREDOR





Já conversei,
Tentei, sei que tentei
Joguei cartas sobre as mesas,
Joguei-as para cima,
para todos os lados
Algumas catei, outras ainda estão e ficarão lá,
Rasgadas ou não
Houve quando pedi,
Negociei
Tentei, sei que tentei
Afinal chegou a hora, 
antes que nasçam cicatrizes
Preparei tudo, esperei sentada
Mas, nem tentou devolver,
já jogou as chaves fora
Suas malas foram então para o corredor
Tudo é, ou deveria ser, via de duas mãos
Desta vez, não deu mais...

Vera Celms
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domingo, 2 de julho de 2017

VERDADE DE VERDADE





A tácita verdade tem pesadas pálpebras,
que de escuras vestes, baixam e semicerram-se
Não se deixa ver
Não se anuncia ou declara
Oculta-se travestida de engano
Não preocupa-se com largas dilacerações,
com feridas expostas, abertas e incuráveis
Existe por simplesmente existir
Não questionam-se verdades
Relembram-se,
Inquietam-nos, desassossegam-nos,
Desesperam-nos
São verdades.

Vera Celms
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