quinta-feira, 4 de maio de 2017

O CONVIVA






Trago comigo
Cravada em algum lugar do fígado,
do estomago, ou da alma
uma maçã em decomposição
Amarga fruta,
que ao invés de minguar, cresce
Pútrida, fétida, corrosiva
Acionada pela lembrança
Botão involuntário,
Faz-me arder o pensamento,
através de lembranças não escolhidas
Veem, impõem-se drástica e veementemente
ficam, como vermes a devorar-me a sanidade
Uma espécie de ódio, de marra, de lástima
Situações impostas pela vida - ou pelo fim dela
Figura tóxica que não posso deletar
A quem tudo faria para que fosse feliz, estivesse bem,
exceto conviver
Vem então a vida – ou o fim dela – e desembarca-me o conviva
E a fruta em decomposição se instala livre
Há momentos em que não me deixa dormir,
Em outros, não me deixa respirar
Até quando não sei, ou até quando tiver de ser...
A fé, não pode resolver, no máximo explicar,
E eu, nem entender...

VERA CELMS
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O CONVIVA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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