domingo, 28 de agosto de 2016

FOI-SE O RISO





Antigamente era jovem
Muito antigamente era feliz
Sorria escancarado,
Sorria até encarcerado, subjugado, humilhado,
Era um riso tímido, sem jeito, sem saída
Um quê de pureza,
Brio dos honestos, castos, limpos
Alma, aura transparente puxada ao lilás
Tenro olhar, a  emprestar brilho a vida
Abraço franco, pisar decidido e reto,
No entanto, depois de tantos desencantos,
apesar de tudo: viveu
Foi provado, provocado, burlado, sacaneado,
Tombou, levantou e foi derrubado
Preso, torturado, amordaçado,
Corrompido, mau julgado, sentenciado
Perdeu graça a vida,
Perdeu todos os abraços,
O andar cambaleou
A verdade lhe faltou aos olhos,
que já não tinha mais brilho pra emprestar a vida
Alma embaçada, aura corrompida e alquebrada,
Riso agora, nem ensaiado, talvez arrancado
Endurecido, empedernido, não sabe mais
O que antes era frouxo, um tanto alvar,
agora, tá mais para um grasnar
Rompe-lhe o silencio, vinca-lhe as faces e duro, some
O que era satisfação, agora dói,
Nem lágrimas lhe veem aos olhos,
parados no nada, no longe, em lugar nenhum...

Vera Celms
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FOI-SE O RISO de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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