sábado, 21 de maio de 2016

VIOLÁCEO TOM





Naquela noite, olhara pra ele como nunca antes
Olhava suas pálpebras, boca, pele,
Seus cabelos, movidos casualmente pelo vento,
Seu sorriso nunca mais, seu olhar nunca mais
Nunca mais uma palavra, um sussurro, ou bronca
A paz agora tinha um tom violáceo, soturno,
e uma temperatura glacial
Uma tênue sinfonia muda
Um gosto amargo, impossível de engolir
O peso de uma eternidade
E a porta entreaberta para a fuga
Não sentia nenhuma culpa,
Nem medo,
Talvez fosse imaginação
Mas, ele estava ali, em pé diante de mim
Como quem quisesse discutir a relação,
ou se despedir derradeiramente
ou , impor sua imagem a minha saudade (como se precisasse).
A saudade agora teria pra sempre seu rosto, seu abraço,
Fosse o que fosse aquela presença diante de mim,
Fechei os olhos,
Ao reabri-los,
Era meu pai que eu velara noite a fora...

Vera Celms
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VIOLÁCEO TOM de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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