sábado, 21 de maio de 2016

PAPEL E CANETA, POR FAVOR





Quem ameaça a nós, somos nós...
Não somos loucos
Não flertamos com o abismo gratuitamente
Se o olhamos, é porque o abismo nos olhou primeiro
Pensamos que os vivos carregam arrependimentos,
E quantos arrependimentos os mortos levam?
Entre o além e a realidade, proferem suas culpas, chorando
As paredes, atravessadas por fantasmas,
escondem confissões inteiras,
sussurradas em madrugadas frias, insones, solitárias
E como o abismo,
a lâmina do punhal brilhando sobre a mesa,
flerta...
Não precisa desaferrolhar as portas,
Nem entreabrir as janelas
Chegarei como um pensamento, vinda de dentro,
Sutil e silenciosa
Como a aragem pelas frestas
Serei o som de uma folha de papel,
(escrita por mim), caindo da mesa
Como um perfume no repente da madrugada
Como uma lembrança forte e fogosa,
Papel e caneta,  por favor...

Vera Celms
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