sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

DEVOLVIDA A TERRA





Os sinos continuam dobrando longe
Não nos separamos do próprio coração
Os trovões repicam insistentes sobre o telhado
e somente os raios iluminam o teto
Falar do fim não é pessimismo, mas percepção
Mão fria e pálida que nos colhe e recolhe
O que respiramos até o fim, é realidade
Dura e apunhalada verdade
Se a saudade continua rondando é só persistência
As imagens todas quebradas agora só etéreas
Traduzem a fé tão particular
Se a vida corpórea dói, melhor fenecer
Acender o ultimo cigarro na chama da vela fúnebre,
não é morbidez, antes oportunismo...
Cansada de chorar pela estrada, morro no acostamento
Perdida, sozinha e realizada
Como o filho rei que furta o escravo seio,
Indevida e fartamente alimentada, pela vida que um dia será verme
Devolvida a terra afinal

Vera Celms

DEVOLVIDA A TERRA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário