domingo, 18 de outubro de 2015

SEM SANGRAR




Eu não sangrava,
Chorava, penava, sofria,
Contava os dias, os minutos, os passos
O corredor, jamais vira tão longo
Martírio, via-crúcis, penar
O chicote estalava no ar,
Na mira, estava eu
Ameaça constante
Sofria, mas não sangrava
Doía, mas não me entregava
Ponto de honra resistir
Tanta força na mesma direção
E eu, acompanhada da minha fé, lutava
Mas não sangrava,
Não atrairia urubus nem piranhas,
Não me deixaria esquartejar
Não antes da chama da ultima vela apagar
Naturalmente; por ter de apagar...
Chorava, sofria, mas não sangrava,
Partiria inteira, digna, olhando em frente
Até pra não me perder
Até pra não me bater
Até pra não vagar ou voltar
Partir tinha de ser caminho de ida
Orações, rezas, preces, pragas,
A alma pode até esperar, mas vai,
Aos trancos e barrancos, vai
Ainda que fique por aqui, perdida por mais tempo,
Acaba partindo pra qualquer lugar...

Vera Celms
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SEM SANGRAR de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

domingo, 4 de outubro de 2015

PESO MORTO





Não amanhecia
Noite escura infinita
As frestas de luz artificial entravam
somente pela movimentação da cortina, pelo vento
e, incomodava
Os olhos desacostumados doíam
Encolhia-me, virava o rosto contra o travesseiro
Cobria a cabeça,
O vento uivava pela fresta da janela
Cena de filme de terror,
De alguma forma sentia um mórbido prazer
 em fazer parte dela
Isolamento, silencio soturno, ser sombrio
As sombras me acompanham,
Minha solidão é meu esconderijo
Fujo, me escondo, deixo de existir
Sou eu peso morto, sou sombra,
Uma alma, cujo corpo não se vê...

Vera Celms
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