domingo, 22 de fevereiro de 2015

O ULTIMO DIA DE ANTIGAMENTE





Momentos graves,
O peso do mundo,
A densidade da terra que o corpo cobre,
A queda que impede o levantar
Momento solene,
Visita da honorável Dama da Vida...
Sem tecnologia,
Comunicação pessoal,
Sem celular, sem telefone,
Noticia de morte, levava-se em casa,
Alta noite, madrugada,
O amigo, o parente,
A campainha tocando,
A porta se abrindo sem cerimônias,
Fatídica noticia...
tomando conta do ambiente, como gás,
Contaminante sensação lúgubre,
Ambiente fatalista,
As crianças dormiriam,
Os adultos se vestiam em pesar mórbido,
Lagrimas em todos os olhos,
Expressões irremediáveis
Era como hospitalização na madrugada; sem volta...
Com o amanhecer, as despedidas,
Na sala de casa, cavaletes armados,
sustentavam o caixão do solene morto...
melhor vestido, terno e gravata,
Flores, brancas, amarelas, róseas, lilases...
O cheiro das flores,
da cera das velas derretendo, encabeçando o caixão,
o fogo aceso por todo o tempo,
A ultima homenagem
Prazer mórbido,
Ao lado do morto, orações, lágrimas,
expressões de quem tudo sabe, sem nada saber,
Olhares entrecruzados,
Disse-me-disse, fala baixo, fala não...
Logo mais, o morto vira santo...
Um bom sujeito, que não merecia esse fim...
Que Deus o tenha... comadre...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O ULTIMO DIA DE ANTIGAMENTE de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário