domingo, 1 de fevereiro de 2015

O CONFLITO DA DOR





Forte; a dor doía imensa,
Alagava tudo em mim,
Cada lembrança ou sonho,
Cada momento medonho,
Pavor, assistido da porta
O fundo musical era um vozerio desconexo,
Um murmúrio trazido pra bem perto
Num idioma estranho,
Seria melhor calar
Deixar a lágrima inundar o rosto
Molhar as vestes
Regar a alma
Me levar pra longe,
A dor doía com força,
Como um monumento, que aos poucos rui,
E que até desfazer-se no chão,
estala, range e grita
incomoda, cada vez que se desacomoda,
O peito, duro resiste,
O punho, cerrado transforma em soco,
qualquer movimento
A respiração já quase desmaia, aos solavancos,
Quem dera perder os sentidos,
E confundir a dor com o gemido,
Quem dera morresse agora,
Mas, só os afortunados veem a luz pelo vão da porta,
Para pobres mortais, porta fechada é barreira,
Obstáculo intransponível, desde o chão...
O corpo reluta a labuta
E os movimentos recusam-se a esperar,
Tomara tudo explodisse agora,
Tomara alguma entidade me recolhesse, e só...
Fosse pra cima ou pra baixo,
Só não dá é para aqui ficar ...

Vera Celms
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O CONFLITO DA DOR de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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