domingo, 18 de janeiro de 2015

FATAL





Com a corda em torno do pescoço,
Com o cano da arma sobre a cabeça,
A seringa com a droga letal sobre a mesa,
Pedir perdão, arrepender-se
Corredor da morte...
Com a vida por um fio, recorrer ao céu,
Nada livra um condenado,
Corredor já gasto de tanta andança,
Noites de insônia, dias de jejum,
A culpa briga, esbofeteia, joga o condenado ao chão,
Ao fundo do poço,
Caminho sem volta,
O mundo tem suas leis,
Os países tem suas leis,
Nem todos são complacentes,
Nem todos afrouxam a corda,
Nem todos molham a munição,
Os valentes mantém a aposta,
Fazem valer suas leis
Não voltam atrás,
Fazem pagar o endividado,
Fazem cumprir a pena,
Fazem amargar prisão,
Entrar em território desconhecido,
precisa um pouco mais do que coragem,
é preciso noção,
Noção exata de que a lei tem de ser justa,
Pra quem impõe o preço e pra quem o paga...
Entrar no quintal do vizinho pode ser perigoso, e pode ser fatal...

Vera Celms
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE!





Segue teu caminho,
Com o peso do mundo sobre as costas,
Com as armas enferrujadas desmontadas,
escondidas sob tuas asas negras deformadas,
Voar jamais poderia,
Tuas asas não eram pra voar, mas pra esconder monstros...
Agora vai, com todos os perdidos agarrados em ti,
Fazer vitimas, pode parecer inócuo,
Mas, não é aqui, pago o tributo,
Serão muitas dores, muito ranger de dentes,
Muito desespero, solidão e escuridão,
Todas as tuas vitimas lhe cobrarão gritando,
Assombrarão tuas lembranças todas, com horas de aflição,
Momentos de loucura, desespero,
A multidão, aqui da Terra, marcha sobre teu nome,
Tua imagem é tratada como aberração,
Carrega agora o peso do mundo,
na culpa que todos te atribuem,
já que, não sente culpa pelo terror deliberado,
Serão milênios, na sombra de que Deus for,
Não será visto, não será socorrido, não será perdoado,
Não se comete crimes em nome dEle,
Também não se escondem culpas,
E todo o solo que pisar, estará coberto de sangue,
E tuas asas negras, perecerão como tua alma,
roídas, dissecadas, carcomidas,
pois pela casa dEle, ninguém passa impune...
Je suis Charlie!!!

Vera Celms
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

DESCE A CORTINA





Acordei hoje, e 2014 já havia partido,
Deixou pra trás tantas mazelas!
Doenças, catástrofes, hecatombe,
Tantas vítimas contrariadas, enganadas,
vagam pelo umbral, procurando verdades, 
respostas não dadas, repente fatal...
Também ficaram por lá, planos fatídicos,
Decisões mal pensadas, resolutas,
Aquelas que ditarão o ponto final,
no novo ano... ou momento qualquer,
O peso da balança despencou? Descompensou?
Quem foi que subiu no telhado, a vida ou o seu locador?
Fechar a casa para a vida, dá multa rescisória...
Por quantas encarnações?
Somos donos da vida ou só da matéria que a abriga?
Temos, poder decisório?
Fuga ou extrema coragem?
Quem de nós decidirá o momento de sair de cena,
sem por isso pagar o preço?
Alguns chorarão, alguns chorarão muito...
Outros indignados, sem respostas,
Alguns não se incomodarão,
Outros nem saberão,
Mas, certamente a todos ficará a lição...
Desce a cortina.

Vera Celms
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