segunda-feira, 6 de outubro de 2014

BAILARINA ENFADONHA





Bailava linda e bela,
Fazendo farfalhar as secas folhas,
por sob seus pés, em ponta...
Fazia da relva, dos bancos, espectadores,
Inertes, assistindo a tudo,
Pulava, rodava, rodopiava,
Saltava no ar,
Parados olhos, de quem vê muito além do horizonte,
Ou de quem vive muito aquém da realidade
Doce bailarina,
como se ouvisse musica,
como se fosse a única,
como se fosse real, ou feliz...
Congelado olhar,
Clássicos movimentos,
Gestos estudados,
Emoções roubadas,
Doce bailarina, que baila só,
Criando passos,
Causando dó...
Quem de nós não choraria,
Vendo a bailarina tombar
ou se voasse além orbita,
ou se não pudesse mais bailar...
Enquanto ela baila, sonha,
Louca, tão doce, baila enfadonha,
Será que imagina?
Inventa, ou faz de conta?
Continua bailando de ponta...
Gira, vira e rodopia,
Até talvez despertar...

Vera Celms
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BAILARINA ENFADONHA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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