domingo, 28 de setembro de 2014

GARRAFA AO MAR




Cartas ao mar,
Garrafas flutuantes,
Coisas de cinema talvez,
Não queria jogar nada fora,
Mas, não podia passar a vida olhando palavras escritas,
Agora não tinham mais o mesmo valor,
Mas, ainda tinham valor,
Amor empilhado e sufocado,
Não podia assistir impune, simplesmente,
ao amarelamento do papel,
Trazendo fragilidade a palavras tão fortes,
vendo-as apenas se desmancharem ao toque das mãos,
Não sabia se, fechadas numa garrafa,
sofreriam a ação do tempo,
Preferi acreditar que as protegia,
Fechei-as todas numa só garrafa,
Para que, como um livro, viajassem história
Afinal, também acreditava que viveriam em alto mar,
Ainda que a garrafa “naufragasse”,
aportada numa praia qualquer,
Não posaria com fragmentos de uma historia,
mas com historia completa...
Encontrada, o mundo saberia,
que amores incríveis acontecem,
Não só no cinema,
Chorada e sofrida, acabou a história, não o amor...
A nossa garrafa, precisa seguir viagem, inteira...

Vera Celms
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

FLORES DEFINITIVAS





Flores, ofereço-as
Como boas palavras
Como mantras mágicos
Flores, recebe-as
Como maldições baratas
Como acontecimentos trágicos
Não juntamos cinzas
Tão rápido como as espalhamos
Nem enterramos o passado
Tão simplesmente quanto o erguemos
Virar a pagina nem sempre é o melhor a fazer
Feche o livro,
Bata-o como a uma ofendida porta
E reconhecerá o sol logo que sair
Proteja os olhos acostumados a dura escuridão
Acostumar-se a primaveras ensolaradas
é um prazer tão simples quanto edificante
Vida que se põe a prova
Coração que se renova
É pra frente que se anda,
Sempre em frente,
e encontrará o horizonte aberto para voar
Só depende do impulso,
Flores, ofereço-as em maços ou buquês
Ainda que, nesse momento,
preferisse vê-las sobre seu peito

Vera Celms

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domingo, 14 de setembro de 2014

O BOTÃO DA CULPA





Não entendemos todas as coisas,
Nem sabemos por que nos aliviamos,
com costumes que nem são nossos,
Obituários nos jornais,
Noticias catastróficas,
O horror que alimenta o humor,
Sintomas de lúgubre sentimento,
O prazer do sofrer por um momento,
De assistir a dor com lânguidos olhos
Ganas do espírito, que nos sufoca com uma só das mãos,
Leva de nós a paz,
A doçura e o horizonte,
Não entendemos como se faz, mas sabemos fazer,
Imagens sofridas, alimentam sofrido viver,
Não questionamos,
Acionamos o botão, regozijamo-nos na dura culpa,
Vivemos por um momento a dor do outro, sem doer,
Morremos por um instante,
Revivendo ...

Vera Celms
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domingo, 7 de setembro de 2014

SOBERBA





Arrotas soberba,
O mundo gira na tua primeira pessoa,
O sol levanta cedo pra clarear teu dia,
E deita a noite pra que descanses,
Tua carteira é a justa medida,
Tua coleção, andaria anti-horário a um pedido seu,
Se tivesses acordado em tempo, seria perfeito:
Músculos, mente e poder,
Incontestável, tua opinião que tudo vê, prevalece,
Poderes de deus são teus,
Matar só alimenta negativo carma,
Morrer, seria só a prova do erro,
Carinho não conheces,
Romantismo, não cabe,
Monstro do visitado oriente,
Temo teus gestos, tuas ações são brutas,
A fêmea animal, é o que buscas,
Procura o domínio total,
Não há abraço sem intenções,
Não há olhar sem convite,
O mundo não gira sem você...
Quero distancia do teu poder,
Girando em rota oposta,
Até não mais...

VERA CELMS
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