domingo, 31 de agosto de 2014

SILHUETA DA NOITE





Encontro prazeres na noite escura,
Anúncios de tempestade,
Ventania a descabelar o cenário,
Sapos, grilos,
Mas, quando a tempestade está chegando
O único som, é do vento,
O silencio da noite é soberano,
Corujas, cortam a cerimônia, sem cerimônia,
Solidão é questão de cada um, ou de tempo,
Aprecio minha companhia,
Reconheço cada som,
Gosto do cheiro da noite,
Personalidade tão única,
E quando a lua aparece,
Espiando entre nuvens,
Ficam  evidentes silhuetas tão sós,
Posadas entre os galhos das arvores,
Apreciando ideias de naves,
Perdidas na noite, na madrugada,
Seres que atravessam o céu,
Só as estrelas não aparecem,
Estão escondidas, espreitando a tudo,
Certos e incertos,
Visíveis e invisíveis,
Imaginários e reais,
Eu e você,
Todos ficam marcados, na silhueta da noite,
Sem esperar...

Vera Celms
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domingo, 24 de agosto de 2014

TEM DE VALER A PENA





Já fiz poemas e desaforos a cavalheiros,
até a poetas além mar,
A amores irresistíveis, aos quais resisti, arduamente,
A paixões impossíveis, apaixonada, perdidamente,
A tesões inconfessáveis, assumindo-os,
A sensações indizíveis, e disse,
A sentimentos impensáveis, e me afoguei,
A desafetos que só imaginei, e soterrei-me,
Sabores que desconhecia, e ardeu-me a boca,
Outros que queria conhecer, e me queimei,
Dos dois já conheci amargor e doçura,
Triste, acordei sorrindo,
Sorrindo, acordei chorando,
Sentimentos controversos...
Indecentes confusões,
Não admitir desejo, ardendo,
Calar altos gemidos ou gritos, no travesseiro vazio,
Ninguém salta do décimo segundo andar,
sem deixar algo de importante pra trás,
Ninguém adormece a lhe doer o dente, ou a consciência,
Da  dor intensa, não sentimos o final,
Do  prazer intenso, não sentimos o inicio,
Viver é perigoso, e vale todo o risco,
Saltar para a morte é perigoso, e não vale nem pensar,
Viver é pra sempre, talvez morrer também...

Vera Celms
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

FILA PARA O INFERNO





Brancas flores,
Organizadas em cascata,
Cobrindo todo o espaço,
Negra mortalha,
Sobre pele alva,
Dourado castiçal, longa vela,
Ninguém a velar o corpo,
De fora, sob nublado céu,
Era possível ver a cena pela janela,
Noite afora, e o corpo só...
Em torno da casa, quase abandonada
Desfile de negras mascaras,
Negros vultos,
Tanto pesar,
As nuvens escondiam o dia, já pronto a chorar,
Vento de tempestade,
Mormaço, cheiro de flores,
A chuva não demora,
Logo também, chega a hora,
Almas não carregarão a morta,
Mesmo com medo, alguém deve voltar,
E será pela única porta,
De onde as negras almas espiam,
E o vento, as chamas das velas repicam,
Brancas flores,
Organizadas em cascata,
Logo alguém virá,
E do inferno, também não irá escapar...

Vera Celms
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domingo, 3 de agosto de 2014

UM DIA ACERTO







Passei a procurar seu nome,
Nos obituários dos jornais
Esperava saber do seu fim: pressentido fim...
Esperado fim,
Pedido fim,
Esperava saber do seu sofrimento,
Queria assistir um ato que fosse, do teu calvário
Queria saber de cada fio de cabelo seu, perdido,
Queria ver sua cabeça perdida em confusões,
Queria vê-lo doido,
Perambulando atrás de soluções,
E esconde-las todas,
Queria ter encontrado seu nome nos obituários,
Não perdi a fé, vou continuar procurando,
Um dia, ainda acerto o seu último dia!!!

Vera Celms
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