domingo, 20 de julho de 2014

UM PASSO ATRÁS





Quando te vi tão perto,
Entre eu e o precipício,
Quis alcançar-te,  lançar-me aos teus pés
Dizer-te que a vida vale cada momento
Que te espero chegar há tanto tempo
Mas, não me deixou caminho aberto,
Não há números, nem endereços,
Não há pontes pra te acessar,
Tantos são os muros,
Tanto é o breu,
Que mal consegui te enxergar
Vem meu menino,
Deixa eu te abraçar,
Te pegar no colo,
Acarinhar teu rosto, até você dormir,
Deixa eu ser teu anjo,
Deixa eu amar você,
como amam os querubins,
ou os animais...
Dizer a você, o tamanho que você tem, pra mim,
Deixa eu te alcançar, pra não saltar,
Dê um passo atrás, que eu te alcanço,
Deixa que te conte histórias,
Deixe-me cantar pra você,
Te levar sem escalas, pra dentro do meu mundo,
Partilhar contigo toda a graça,
Compartilhar cada ideia festiva,
Te mostrar, que é possível viver,
até além da vida...
Te dizer que são tantas vidas, numa só,
Dê um passo atrás, que eu te alcanço agora...
Vem...

Vera Celms
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segunda-feira, 7 de julho de 2014

A NOITE NO CEMITÉRIO





Sob o altar da capela do túmulo,
Duas velas acesas,
Permitem ver a foto de alguém
Jovem, linda,
Até onde vejo, saudosa imagem
Ali lembrada, exaltada
Prova, de que ali, jaz o amor de alguém
A esperança, os planos todos,
Sepultados, enterrados
Como a imagem do retrato,
Não há com saber há quanto tempo
Não há como saber motivos
E a única repercussão lida: saudade
Nunca mais o cheiro, nem o perfume,
Nunca mais o calor, nem o sabor,
Certamente, ela levou tudo com ela,
Só lembranças, ela deixou,
Como pode alguém carregar tudo?
Afinal, é assim que se morre?

Vera Celms
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