domingo, 8 de junho de 2014

SERES DA NOITE ALTA





Há tempos não chorava,
Não olhava o abismo tão de perto,
Não sentia o corpo em queda livre
Não tenho mais na lembrança a extensão do seu sorriso
Nem do seu pranto,
Não lembrava mais da envergadura de suas asas,
a planar na noite escura
Ouço-o  as vezes, perdida em sonhos, a crocitar,
Não sei mais da amplidão do seu céu,
Nem da profundeza do teu denso, profundo, escuro mar,
Pulsamos em semitons, descompassados,
Vibramos em desarmonia,
Procuramo-nos em lugares estranhos,
Em sombrias alamedas,
Em profunda escuridão,
Sonhamos com sol a pino
Despertamos na boca da noite,
A tempestade nos convida,
O perigo nos seduz,
No meio da noite, clamamos solidão,
Seres da noite alta,
Silencio sepulcral
Abissal refúgio,
Nada brilha, nem reluz,
Dessintonia, descompasso,
Opacidade projetada na terra,
Revolta, recém cavada,
Negra terra morta, a nos cobrir e guiar,
Guarda de nós, além da força,
Toda imagem e fé...
Sepulta-nos, permita-nos voar...

Vera Celms
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