sábado, 28 de junho de 2014

DO ALTO DO PRÉDIO





Olho o céu enegrecido,
Do alto do prédio mais alto,
Quem aqui me visse,
pensaria ser eu um suicida,
Jamais imaginariam asas
Meu pensamento veloz,
Minha criatividade tão fértil,
Jamais imaginariam  muito além,
do que os olhos veem ...
Passado remoto, marcado e amarrado,
Amordaçado,
Assinado a lágrimas e sangue,
Avalizado castigo,
Gerações de histórias tão comuns,
Sofrimento atroz; pedido, escolhido,
Perdão implorado,
Dores, caminhos estreitos, árduos,
Espinhos, lama, fumaça, escuridão,
Insuportáveis mazelas,
Tontos pássaros negros cortando a noite,
em rasantes voos desesperados,
E o som de motores invisíveis,
Faziam gelar o mais valente coração,
Quem de nós não ataca por defesa?
Quem de nós não mata, pra não morrer?
Vigio a noite do alto,
Vejo as nuvens enegrecidas,
formarem-se em rolos opressores...
Medo, fúria, vingança,
Correm livres pela terra,
Aqui do alto, tudo é impalpável,
incalculável, irrevogável, irretocável...
Aqui do alto, eu mando no mundo...

Vera Celms
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