domingo, 27 de abril de 2014

VESTIDA DE ÉPOCA





Ponto flagrado ao acaso,
Pelas curiosas lentes fotográficas
Tudo ali foi criado por Deus e organizado por ela,
Cantos e lamentos,
Lembranças do acaso,
Tudo aconteceu ali
Encontros, carícias e beijos
Tantos suspiros apaixonados,
Até o ultimo suspiro, aquele, pela vida inventado...
Nada ali teria existido como é,
Sem as mãos da musa,
Teria ela, musa, criado o cenário,
Ou seria o cenário, que fizera dela, a musa?
Não importa a ordem dos acontecimentos,
Importa o acontecimento, o cenário, o flagrante,
E eu que nem sabia da história,
Clico no momento flagrante, e capturo a musa,
Visão além do além, parte do cenário,
Que de tão forte ficou ali, viva,
Residente permanente do sonho,
Muito além da crença, muito além do razoável,
Muito além do justificável,
Ela estava lá, diante do rio,
Entre os pilares do píer,
Que tanto frequentou, acompanhada de amores e dissabores,
Vestida de época,
Ainda que seja somente, da época em que foi feliz ali...
Passageira encantada do meu flash...

Vera Celms
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sábado, 19 de abril de 2014

FÊMINO AMOR





Nosso amor foi negado,
E foram décadas de existência,
Mantivemos nosso amor discreto,
Não precisamos impô-lo,
Existir, bastou...
Quatro paredes para intimidades
e o mundo inteiro, muito além delas,
Caminhei ao seu lado, te amei com todas as forças,
Não fui sua dona, e sempre foi minha,
Nada exigi, e me deste tudo,
Nunca a prendi, e sempre esteve tão perto,
Durante uma vida, ficamos por querermos,
Nenhuma palavra que nos obrigasse,
Nenhuma vigília foi necessária
E uma história se fez,
Contada em cada detalhe,
Agora te encontro fria, por sobre a pedra vazia,
Onde foi que acabou a estrada?
Quem foi que te levou?
Ainda que digam os homens de branco,
Não acredito ter entregue a sua vida, à força de suas mãos,
Acreditavas na vida da alma,
Acreditávamos que voltaríamos a nos encontrar,
E agora, o que faço com tanta vida sozinha?
O que faço dos nossos retratos na sala?
O que faço de tanto segredo, já que a ninguém pude contar?
Levo comigo, deixando morrer?
Um único tiro certeiro, e uma arma plantada em sua mão,
Continuarei a habitar nosso ninho,
Cuidando da nossa história,
Talvez a deixe escrita,
Permitindo afinal, que o mundo saiba,
Que juntas, nós duas fomos felizes...

Vera Celms
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domingo, 6 de abril de 2014

DOSE EXATA





Frutas amargas também matam a fome
Águas turvas, também matam a sede
O veneno, na dose exata, também é remédio,
A prece, mau proferida, soa a maldição
Pérolas dadas a porcos, viram alimento,
O céu, coberto pela tempestade, perde o azul,
e transforma a calmaria em tormenta,
Quem de nós, diante da agressão, não agride?
Proteção, passa a ser ataque,
Palavras mau ditas, soam malditas...
Desabafo, vira ameaça,
Pessoas viram alvo
Como pólvora comprimida, vira explosivo,
A todos, basta um pavio incendiado,
Ninguém está fora de perigo
É preciso distância segura,
Silencio, também é verdade
Palavras em ouvidos moucos, perdem o sentido
Perdem o poder agressivo
Até o perdão, em corações culpados,
podem significar suicídio...

Vera Celms
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