segunda-feira, 24 de março de 2014

TEMEROSA NOITE





Chegou a noite,
Garoa fina e gelada,
Com a escuridão fria,
na minha cidade, ninguém sai a rua
Silencio absurdo,
Na noite, todo gato é pardo
E todo ruído é estrondo
O rangido da tábua da escada,
da tábua do corredor,
A porta entreaberta, parece escancarar-se sozinha
A casa escura é um sussurro insistente,
quase inaudível,
Que incomoda...
A sombra que a retina cria,
E o medo que o espírito vela
A atenção não se divide,
Nem se dissipa,
Tentar dormir é impossível,
Todos os sons já frequentam o quarto escuro
E o clarão de relâmpagos, forma mais imagens,
Todas assustadoras, imensas...
O cobertor já colado em torno de todo o corpo
A cabeça coberta, de nada mais adianta,
O medo é real e flagrante,
Pela força do vento, a porta bate...
Inevitável susto,
O quarto já parece povoado de seres invisíveis
A me espiar, vigiar,
Insuportável vulnerabilidade
A mercê de toda imaginação, imagino-me sumir,
Como um líquido, a escorrer sob as cobertas,
Impossível me esconder,
Impossível não temer
Nesse momento, meu quarto já é outra dimensão,
Onde todos os seres se odeiam,
Sem motivo algum...

Vera Celms
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TEMEROSA NOITE de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

2 comentários:

  1. São 2:46 aqui.
    Passou um friozinho de medo por mim. rsrrssr
    Excelente e eloquente leitura Vera.
    Parabéns.
    Bjssss

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    Respostas
    1. Pois é, querida Mônica Pamplona, essa é a idéia!!! Obrigado pela visita e pela "confissão"... risos.... Obrigado...beijos de VC

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