domingo, 30 de março de 2014

DESENCARCERADO





De repente estava lá,
Na minha cama,
descansando pensamentos cansados, neuróticos,
O desencarcerado culpado,
Não sabia qual era sua culpa,
Sabia que trazia um dragão adormecido, na borda da íris
A vermelhidão de seus olhos,
acusava a elevada temperatura
Não havia denúncia aquém do gesto,
Trazia nos modos, a ansiedade, a revolta do cárcere,
A inconformidade dos anos tomados a força...
O erro era algo a esquecer,
Mas, não esquecia,
A ausência, a distância, o esquecimento,
Anos passados, o dragão espiava curioso
Ansioso, queria sair,
escalar o perigo, afrontar o assombro,
Tinha fome de desejo,
Tinha sede de liberdade,
Medo nenhum...
Enfrentaria a tudo e a todos,
Coragem vazava na transpiração,
Crescia, avolumava...
Não aceitava cabresto, já pagara preso...
Mas cedeu a um afago na alma ...
E sorriu, só sorriu...
Levantou-se, saiu andando e foi viver...

Vera Celms
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