domingo, 23 de fevereiro de 2014

ENCAIXOTADA






Abraçada a lembranças
Flagrei o branco do vestido
Saltando da caixa
Ofuscando-me o olhar,
que embaçado, já ignorava o cenário
Achei que as lembranças
embotavam-me os olhos
Enquanto as lágrimas, enfileiradas,
Ameaçavam lançar-se
Dramáticas, derradeiras,
Já foram todas choradas,
Mas, enfileiram-se teimosas,
Manhosas, impositivas,
Inflexíveis... e rolam,
Caem, insistindo em molhar o peito,
o colo, a roupa, e o despercebido
autocontrole,
que como torrões de açúcar,
perdem a forma e a postura
desmancham-se...
A mágoa não dá sinais,
Não tem o peso da ofensa,
Nem o romantismo da saudade,
Mas fere, dói, sangra,
Todos os dias...
Ocupa o peito e a razão,
Embota o juízo e a visão,
Quer ferir, não por vingança,
Auto-flagela-se por herança,
Mais dez anos, encaixotada...

Vera Celms
ENCAIXOTADA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional

2 comentários:

  1. Vera,

    Hoje venho lhe fazer um convite! Estou escrevendo em outro espaço com mais amigos, pois o Infinito Particular desapareceu sem que eu consiga achá-lo.
    Já fiz de tudo, mas como não consegui resolvi blogar em outra página onde fui muito bem recebida.
    O blog é de excelente qualidade e muito bom gosto e sou autora por lá e posto regularmente. Se desejar visitar-me ficarei muito feliz e se quiser nos acompanhar será uma honra.
    Lindo dia e um enorme abraço!!!

    http://refugio-origens.blogspot.com

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  2. Querida Malu,
    Acessei http://infinitoparticular.blogspot.com.br/, sem problemas, quem assina é PAULA... não sei se trata-se do mesmo BLOGSPOT... enfim... irei sim, com prazer. Obrigado pelo convite. Grande beijo...

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