domingo, 9 de fevereiro de 2014

DEIXA DOER





Sangue que escorre,
Vivo, como tardias lembranças
Na carne quente,
A fria tesoura cravada
Como o olhar de minha mãe,
Questionando o porquê de todas as coisas
E eu, sem aceitar, e sem questionar
Como entender que as coisas aconteçam
Despretensiosamente,
Se ainda trago tão vivo
O som da voz, gritando,
O ódio no olhar,
O tremor nas mãos incertas,
A desproteção, diante do exequível,
Tormento incontestável,
De repente, o sangue escorre,
Alheio a tanta história,
Fazendo (re)lembrar, o que nunca consegui esquecer,
Bastam, duas gotas de sangue,
A roupa clara, não oculta,
A alva tez lateja,
A ferida aberta, durante toda a vida,
Teme toda mão,
Ardendo e queimando,
Recusando a cura,
Deixando doer....

Vera Celms
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