domingo, 26 de janeiro de 2014

ESTRELAS EMBAÇADAS





Olhava para cima, perdida,
Nada via, além do céu, rajado de nuvens,
Coalhado de estrelas distantes e embaçadas,
Era uma sensação que já experimentara
Sabia bem do sabor da derrota
Não há volta
Tudo perdeu o sentido
Não há mais graça, em todas as coisas
O único desejo é partir
Esquecer a culpa, aplacar a dor,
Engolir o amargor da vida,
Como remédio; com água...
Não permitir que ninguém lembre
Não deixar que ninguém mais saiba
Ir embora, sem olhar pra trás
A solidão é nossa melhor companhia
Não sei mais rezar,
A fé, perdi aos poucos,
Dia a dia...
Foram tantos pedidos em oração,
Foram tantos deuses,
Pedi a todos os santos,
Busquei rumo em toda fé,
E hoje estou aqui, tão só,
Com o peso do mundo sobre a cabeça
Olhando para cima, perdida, rodando...
Nada, além do céu, rajado de nuvens,
Coalhado de estrelas distantes e embaçadas,
Que jamais brilharão da mesma forma...

Vera Celms
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ESTRELAS EMBAÇADAS de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

2 comentários:

  1. Estou certa que as estrelas brilharão novamente com o brilho mais belo que poderá existir à luz dos olhos da alma.
    Parabéns Vera pelo belo poema!
    ZCH

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  2. Obrigado, querida Zélia!!! ainda que as estrelas estejam embaçadas, continuam a existir e o brilho, talvez seja somente questão de visão... grande beijo, obrigado...

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