domingo, 14 de dezembro de 2014

NEM SENTIDO, NEM EXPLICAÇÃO






Em algum lugar,
Sempre na mesma noite da semana,
No mesmo horário,
A musica começa a tocar,
Harmonia deliciosa,
Fecho os olhos,
Paro para ouvir, viajo,
De repente, desta vez,
perco o contato com o chão,
A respiração ofega,
Difícil respirar, como quem volta de uma anestesia pesada,
A partir desse momento, pesam pernas,
Cabeça, consciência,
Perco contato com o mundo visível,
A audição some,
O peito vibra ao som da musica,
Impossível conter a emoção,
Algo entre o risível e o indizível,
Algo entre o possível e o incrível,
Sempre acordo leve, no chão,
Procurando sentido para todas,
essas e as outras coisas...
Fora do ar,
Sem nenhum sentido ou explicação...

Vera Celms
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

SEM PASSADO OU FUTURO





Comer e gozar sobre o desespero po-bre(pular)
Ver brilhar o olho alheio, estagnado,
Alucinando depois do pico, do tapa, da carreira,
Sonhando -
Como se sonhar, fosse permitido a todo mundo, -
Que o conforto ilusório do transe, era paz
Até ouvir o primeiro tiro,
A chibata estalando
A sirene da lei, seguida pelo correr das botas,
Coturnos, subindo o morro,
Invadindo parcos lares, tão lares,
A porta da cela trancando ao bater nas costas,
E a tampa do caixão sepultar, o afinal anonimato
Silencio
Legião de mudos zumbis,
Pagando pela vida,
Chorando poucos direitos e muita obrigação,
Tão popular, escravidão,
Reconhecida e reverenciada com cálidos suspiros,
Respiração,
Transpiração,
Transgressão
Poder de vida e morte,
Bater o chão da roupa, e sair andando,
Só andando...
Sem olhar pra trás

Vera Celms
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ACUADO





Tinha um quê de doçura,
Ainda que parecesse uma fera acuada,
Medroso, defendia-se fitando-me,
Tremia, arfava,
Tinha um cheiro amargo,
Agressividade no gesto
Não andava, saltava,
Sempre pronto ao ataque,
A pele escurecida das ruas, da fuligem,
Igualmente as roupas, tão sujas,
Tão poucas, tão ralas,
Além de uma marca de nascença,
Bem lá no fundo,
Alguém que muito amei, há vinte anos atrás...
Perdido, ou encontrado,
Em vestes rueiras... em gestos torpes,
Acuado, qual fera, pronto pra atacar mais uma vez,
Ou disposto a ser atacado, derradeiramente...

Vera Celms
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

BAILARINA ENFADONHA





Bailava linda e bela,
Fazendo farfalhar as secas folhas,
por sob seus pés, em ponta...
Fazia da relva, dos bancos, espectadores,
Inertes, assistindo a tudo,
Pulava, rodava, rodopiava,
Saltava no ar,
Parados olhos, de quem vê muito além do horizonte,
Ou de quem vive muito aquém da realidade
Doce bailarina,
como se ouvisse musica,
como se fosse a única,
como se fosse real, ou feliz...
Congelado olhar,
Clássicos movimentos,
Gestos estudados,
Emoções roubadas,
Doce bailarina, que baila só,
Criando passos,
Causando dó...
Quem de nós não choraria,
Vendo a bailarina tombar
ou se voasse além orbita,
ou se não pudesse mais bailar...
Enquanto ela baila, sonha,
Louca, tão doce, baila enfadonha,
Será que imagina?
Inventa, ou faz de conta?
Continua bailando de ponta...
Gira, vira e rodopia,
Até talvez despertar...

Vera Celms
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domingo, 28 de setembro de 2014

GARRAFA AO MAR




Cartas ao mar,
Garrafas flutuantes,
Coisas de cinema talvez,
Não queria jogar nada fora,
Mas, não podia passar a vida olhando palavras escritas,
Agora não tinham mais o mesmo valor,
Mas, ainda tinham valor,
Amor empilhado e sufocado,
Não podia assistir impune, simplesmente,
ao amarelamento do papel,
Trazendo fragilidade a palavras tão fortes,
vendo-as apenas se desmancharem ao toque das mãos,
Não sabia se, fechadas numa garrafa,
sofreriam a ação do tempo,
Preferi acreditar que as protegia,
Fechei-as todas numa só garrafa,
Para que, como um livro, viajassem história
Afinal, também acreditava que viveriam em alto mar,
Ainda que a garrafa “naufragasse”,
aportada numa praia qualquer,
Não posaria com fragmentos de uma historia,
mas com historia completa...
Encontrada, o mundo saberia,
que amores incríveis acontecem,
Não só no cinema,
Chorada e sofrida, acabou a história, não o amor...
A nossa garrafa, precisa seguir viagem, inteira...

Vera Celms
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