domingo, 10 de novembro de 2013

RETORNO





Fez-me acreditar que me amava
E me amarrava o nome
Cruzava meu destino,
Solenemente,
Como quem convida alguém a dançar
Mas, lançava-me ao chão
Amor não se faz com afronta,
Fez marra,
Fez troça,
Fez pouco de mim
Me fez mal...
Falou de mim, o que não devia
Fez comigo, o que eu não queria
Espalhou o que não devia,
Me fez infeliz,
Deixou ao meu alcance, disponível,
Uma faca, uma arma, um copo de veneno,
Puxou-me pela mão, jogou-me,
Empurrou-me ao precipício
Tudo fez para que chegasse meu fim,
Vendou-me os olhos e açoitou-me,
Sangrei, chorei,
Parti, sem olhar pra trás,
Jurei não voltar,
Não se conformou com o adeus,
Lançou-me mandinga,
Reza brava, vudú...
Pôs meu nome no pé do santo, enterrou,
No caldeirão, na boca do sapo,
Me acusou, me recusou,
Minha paz afugentou,
Quando perdi toda a força,
Doente, ao léu me abandonou,
Pra morrer,
Mas, pra teu azar, sobrevivi...
Agora, me levanto, sou eu quem faço,
O que quiser...

Vera Celms
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O trabalho RETORNO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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