domingo, 24 de novembro de 2013

INDECENTES JUÍZES




Tudo ali era escuro, frio,
Até o vento, soprava mais gélido
vestido de negro,
Cheirando a fumaça, de escombros
As janelas, abertas para o nada
Faziam lembrar tragédias,
Gritos, gemidos, dor,
Horror estampado em todos os olhares
Feridos ou não,
Todos doíam,
Todos sofriam
Cada um a seu modo, todos choravam
Doíam de si, de mãos atadas,
Tragédia anunciada pelo destino
Traçada pelo acaso
Avalizada pela crueldade
Juízo implacável, de indecentes juízes,
Que moral pode ter um algoz?
Judiar pela satisfação de “instintos”
Prazer mórbido, lúgubre, tácito,
Cena assistida por detrás das cortinas,
Espiada, escondida, velada,
Aplausos masoquistas, como chicotes,
Sangram a pele, após tiradas as vestes,
Contemplando o corpo salgando-se em si,
Agonizando, pedindo clemência,
Chorando, definhando,
Mero expectador
Deixando-se chicotear, por pura inércia,
Doendo e chorando,
E pedindo paz...

Vera Celms
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O trabalho INDECENTES JUÍZES de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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