domingo, 3 de novembro de 2013

FÉRETRO DA CELEBRIDADE





Subiu na vida,
Escalando egos
Sonhou com palácios,
Mansões, carrões,
Esqueceu das emoções,
Levou a vida, sim
mas, só enquanto era festa
Quando não, empurrou, espiou o mundo pela fresta
De sua própria janela
Chamou a todos pelo nome
Quase a escarrá-los,
Conhecidos ou não
Soberba, arrogância,
Intolerância,
Ignorância,
Não chorou dores de amores,
pois não os teve,
e não dói, o que não se perde,
e não se perde, o que nunca se teve,
Deu-se a todos, aos que a queriam,
Aos que não a queriam, pisou...
Ousou, insinuou, dissimulou,
Não conheceu desculpas, nem perdão,
Não mediu distancias, nem esforços,
Não ponderou, nem refletiu,
Só brilhou...
Jogou tão sujo, quanto necessário,
mas, teve a seus pés, todos os que quis,
Por capricho ou vaidade
Modelou sorrisos e lágrimas, no mesmo pote,
Atirou-se sob e sobre,
Sem hesitar,
Deu-se a qualquer papel,
Sem a menor cerimônia,
Hoje parte sozinha,
Sem ninguém as alças segurar
Levada por um carrinho, sem cortejo,
Sem pesar e sem canção,
Sem lástima, nem oração,
Hoje acabou só, como sempre se bastou...
Com seu nome sim, em letras douradas,
Luzes, só de velas,
Em tarde fria e chuvosa,
Sepultada em lama, como viveu...

Vera Celms
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O trabalho FERETRO DA CELEBRIDADE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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