domingo, 1 de setembro de 2013

ENTRE DENTES





Quando vai caindo a noite
Sinto o gosto do sangue entre os dentes
A solidão instala-se
E a transparência zela pelo meu anonimato
Passo despercebida
Dorida, cansada, aflita
Sozinha
Com a faca entre os dentes,
Afasto todos os indesejáveis,
Todos tornam-se indesejáveis
Neste momento tão só
Escondo-me da dor
Faço de mim, ameaça
Ataque, denúncia,
Anuncio-me inconsequente
Capaz de matar ou morrer
E todos fogem, todos
Permaneço então na minha segura solidão,
Quando ninguém me vê,
Ninguém oferece risco
Entre a cegueira do medo,
A rudeza da inércia,
E a tontura do álcool,
Sigo só, sem efeitos colaterais
Sem vozes, sem sombras,
Triste coerência,
Dura demência tão solitária
Afinal, toda escolha,
resulta em consequências,
Aponta caminho, ou direção,
Ou a posição da queda...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho ENTRE DENTES de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. Não consegui para de ler um só instante!
    Envolventes versos saudando o que há de mais sinistro numa mente humana!
    Espetacular Vera.
    Excelente espaço esse aqui.
    Bjsssss no coração

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  2. Que bom que gostou, querida Mônica!!!! Sempre muito bem-vinda. Mil beijos de VC

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