domingo, 15 de setembro de 2013

DOENDO E INCOMODANDO





Olho para o início do dia
E no horizonte nuvens negras
O peso de uma montanha sobre os olhos
- Enlameada montanha embaçando meu olhar -
Tento mover-me na cama
Pareço anestesiada, paralisada,
Não consigo pensar,
Não consigo entender o próximo movimento
Sou uma jogada inválida no tabuleiro da vida
Falo e ninguém ouve
Choro e ninguém vê
Embruteço e todos ressentem
Só o canal da dor está aberto
Só mais um motivo de magoa
Só mais um berro reverbera
As palavras doces são inaudíveis
Em peito vazio, chamamento é eco,
Não cobro mais, não peço mais,
Não chamo mais,
Isolo-me em quarto escuro,
Pedindo silencio, só silencio...
E os fantasmas pantomimam desaforados
Riem-se de mim, gargalham,
Verdadeiro teatro de horrores!
Busco por amigos, encontro desertores,
Peço colo, dão-me as costas,
Conquistam-me o coração, para ignorá-lo,
Sequência desleal da história,
Solidão dói e incomoda,
Talvez, melhor mesmo: parar por aqui...

Vera Celms
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DOENDO E INCOMODANDO de Vera Celms é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. Olá,
    Poema lindo com uma certa tristeza nos sentimentos.
    parabéns pela composição.

    ag

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  2. Querido AGomes, este poema descreve um momento que conheço muito bem... e que de certa forma estou passando nesse momento. Um grande beijo de VC...

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