segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DECEPCIONADA





Parada, diante da janela aberta,
Lembrando você
Pensando no que o destino trouxe
Em como escrevemos a historia
Sinto o peito rasgar por dentro
O fel tomar conta da língua
Os sentidos todos irem se transformando
O que era saudade,
foi aos poucos tomando ardência
Inconformada, fui sentindo raiva de você
Sentimento que não conhecia
Afinal preterida, fui trocada,
Por alguém que nunca te amou
Por alguém que não te deu valor
Que nunca te quis
Imagino agora, você em outros braços
Desfrutando de outros abraços
Sua boca sendo beijada
Seu coração batendo mais forte,
por alguém que nunca nem olhou teu coração
Sinto por dentro a magoa
Meus olhos se encherem d´agua
E meu olhar, no horizonte se perder
Aos poucos, sentindo o corpo levitar
E os sentidos fugirem
Parada, diante da janela aberta...

Vera Celms
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O trabalho DECEPCIONADA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 22 de setembro de 2013

VINGANÇA





Partir sem dizer pra onde
Deixar-te só,
Sonhando com a volta
E não voltar
Partir sem dizer adeus
Perder-me de vista
Sumir...
E um dia virar noticia
Encontrada; morta,
Com pulsos cortados
Sufocada com a própria meia-calça,
Cabeça envolta em saco plástico
Um punhal na mão
Um revolver caído ao lado do corpo
Nenhum bilhete,
Nenhuma pista
Nenhuma chance de contar historia
Fazer-te sentir culpado
Por toda vida,
ou até que a morte nos una novamente...

Vera Celms
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O trabalho VINGANÇA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 15 de setembro de 2013

DOENDO E INCOMODANDO





Olho para o início do dia
E no horizonte nuvens negras
O peso de uma montanha sobre os olhos
- Enlameada montanha embaçando meu olhar -
Tento mover-me na cama
Pareço anestesiada, paralisada,
Não consigo pensar,
Não consigo entender o próximo movimento
Sou uma jogada inválida no tabuleiro da vida
Falo e ninguém ouve
Choro e ninguém vê
Embruteço e todos ressentem
Só o canal da dor está aberto
Só mais um motivo de magoa
Só mais um berro reverbera
As palavras doces são inaudíveis
Em peito vazio, chamamento é eco,
Não cobro mais, não peço mais,
Não chamo mais,
Isolo-me em quarto escuro,
Pedindo silencio, só silencio...
E os fantasmas pantomimam desaforados
Riem-se de mim, gargalham,
Verdadeiro teatro de horrores!
Busco por amigos, encontro desertores,
Peço colo, dão-me as costas,
Conquistam-me o coração, para ignorá-lo,
Sequência desleal da história,
Solidão dói e incomoda,
Talvez, melhor mesmo: parar por aqui...

Vera Celms
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DOENDO E INCOMODANDO de Vera Celms é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 8 de setembro de 2013

DORES NOSSAS DE CADA DIA





A dor, não dá trégua
Inflama, joga na cama,
Faz rastejar, amarra a trama,
Ninguém vive naturalmente
Com a dor que trava a mente
Uma dor puxa outra dor,
Nos faz dementes,
Nos retiramos,
Qualquer movimento evitamos
Não há remédio, não há mandinga
Não há reza que afaste
Não há vida saudável,
Não há festa
Não há seresta,
Não tem como escapar por nenhuma fresta,
Ficamos no escuro do quarto
Ouvindo o palpitar do peito
Sentindo a pulsação local
Entramos em parafuso, em desespero,
A febre costuma chegar
Se não no corpo, no local,
Impossível não chorar
Impossível não arregar,
Impossível não querer sumir
A dor quando dói,
Dói pra se fazer sentir,
Lateja, lateja, quase a explodir,
Dor do corpo, dor da alma,
Dormir é pouco, melhor seria sumir...

Vera Celms
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