domingo, 25 de agosto de 2013

BRASA APAGADA





Caí em prantos
Envolvida em tristezas
Maiores que a própria realidade
Sucumbi aos males do corpo
Enfraquecida na sutileza da alma
Levada por cruéis vendavais
Por becos e pantanais
Tortuosos caminhos
Fogo e fornalha
Ferro quente é que se malha
Estive em brasas por tanto tempo
Não arrefeci nem com o vento
De brasas as chamas
De chamas as cinzas
Sopradas ao vento
Perdidas enfim,
Espalhadas pelo solo
Terra ressecada
Coberta por folhas secas
Sou eu agora,
Brasa apagada,
Cinza espalhada
Lembrança de nada...

Vera Celms
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domingo, 18 de agosto de 2013

NADA NEM NINGUÉM





Noite longa,
Sozinha na sala,
Sozinha no mundo
Nenhuma voz amiga
Nenhuma mão,
Nem ousada, nem solidária
Nenhum ombro,
Nenhum corpo,
Nem para o toque, nem para o confronto,
Nenhuma luz no final da madrugada
Nenhuma sombra no inicio da manhã
Nem de saída, nem de fuga
Frio glacial transbordando o vidro
Ao longe outra janela acesa
Outra voz muda
Outro silencio, longe de mim,
Tudo mudo, calado e só,
Noite e sala,
Eu e quem mais?

Vera Celms
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domingo, 11 de agosto de 2013

UM ANJO PARTIU






Amor demais,
Sentimento forte,
Carinho indizível,
Incontável coração
Não sabia que anjo morria !
Num dia em que se anunciava a tempestade
Com luz entre nuvens
Tão frio que mal se podia sentir as mãos
A pele do rosto chegava a arder
Cheguei mais cedo
E encontrei-o deitado nu sobre o tapete do quarto
Suas roupas sobre a cama,
As tiradas e as que vestiria
O chuveiro ligado bem quente,
Dentro do banheiro de portas fechadas,
Envolto pelo vapor da água
Abri a porta, fechei o chuveiro
Vesti-o com boa roupa
E sentei-me ao lado do corpo sem vida
Como se ali pudesse ainda me despedir

Vera Celms
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domingo, 4 de agosto de 2013

PARTINDO DE MIM





Sobre meu corpo suado
A roupa como uma armadura
Tudo incomoda
Tudo pesa a amargura
Teus gritos nos corredores vazios
Tuas palavras como lâminas
Minha pele ferida sob salmoura
Duras frases soam mantras
E me perseguem,
Na rua, antes de dormir,
Como eu, insones...
Impossível não lembrar
Impossível é esquecer
Meu corpo doente sob o seu
Satisfazendo seu instinto
E a sua compreensão uivando lá fora,
Como lobo faminto, sob carne fresca,
Vai e não volte,
Deixa-me partir, silente e só...

Vera Celms