domingo, 16 de junho de 2013

SER DIFERENTE CONTINUA SENDO IGUAL




Me olhava com um estranho sorriso

Apoiado no canto da boca

No olhar, um ar oculto de satisfação,

Ou sarcasmo, ou ironia,

Ou constrangimento ...

Na penumbra do quarto

Procurava esconder o rosto

Ora do lado mais escuro,

Ora contra a luz do abajur

Tentei acariciar seu rosto

Mas esquivava-se bruscamente

Esperei que ele se deitasse

Fingindo-me dormente

Esperei até que ressonasse

Então, com a luz do celular

Pude ver as marcas e o inchaço

Indisfarçável a marca de um tapa,

O inchaço de um soco masculino

No rosto de um homem

Negue, mas esconder não há como

O lábio inchado ainda sangrava 

O olho semi aberto lacrimejava,

Enquanto o corpo dorido e cansado,

entregava-se ao sono pesado,

entrecortado por espasmos...

Tudo isso, só por ser diferente!!!



Vera Celms
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