domingo, 5 de maio de 2013

DESABADA




Porta fechada
Frestas de luz pela janela cerrada
Noite alta,
Absurdo silencio
Dorida solidão
O corpo reclama em dores
O peito ofega assustado
O mundo mede 3 x 4,
Diante do escuro,
Desaparecem as paredes
Devolve no eco
Só o som da minha própria voz
Chamando, pedindo socorro,
Suplicando por uma alma
Que tenha uma mão,
Um gole d`água
O peito pulsante
Imagens que vem e vão
Somem, desaparecem,
Não há ninguém,
Nunca há ninguém...
La fora é onde a vida acontece
Aqui, a altitude entontece
Só, completamente só,
Mundo tão pequeno tão vasto,
E eu aqui, sobre um monte desabitado
Sozinha, em prantos me desmancho
Ouvindo vozes assustadoras
Ora gritantes, ora sussurrantes,
Não entendo o que dizem,
Abraço o travesseiro
Cubro a cabeça com o lençol
Na esperança de não ser vista
Inútil esconder-se
No mundo invisível, ninguém some
Tudo permanece ali,
Ainda que trêmula,
Ainda que sôfrega,
Parte do cenário todo
Desabada em medos,
Tentando não pensar...

Vera Celms

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