domingo, 28 de abril de 2013

LUZES DO ESGOTO






Noite alta
Céu escuro
A rua deserta
Ninguém vem, ninguém vai
Frio cortante,
Medo constante
Difícil superar o medo
Difícil andarilhar
Perder-se no mundo
Perder-se de todos
Os barulhos da madrugada
Os barulhos da rua
Ninguém se acostuma
Sobressalto caminha conosco
Perigo espreita na esquina
Em toda esquina um susto
As luzes da rua, se acesas, ajudariam ...
Se o estômago não roncasse tanto,
Nem chuva pra matar a sede
Nem um cachorro magro abandonado
Ninguém com quem trocar palavra
Noite alta
Céu escuro...
Escuro é o destino
Escura é a chance
De repente, das bocas de lobo
Todas da rua... luzes...
A noite em luzes amareladas,
claras, vindas do esgoto...
Nenhum som... muda noite...
Nenhum dom... puro açoite...
Sentado sobre um monte de lixo,
o mundo é uma rasa limitada planície
As luzes piscam
Acendem, apagam, acendem,
Espetáculo ruidoso
Olho cuidadoso...
De repente um estrondo,
 tudo se apaga
Tudo se cala
Agora, atirado ao chão,
Só o movimento do coração que bate...

Vera Celms

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