domingo, 3 de março de 2013

BRINQUEDO FINAL




Era como se fosse um brinquedo
Precioso,
Guardado a sete chaves
A sete segredos
A sete senhas
Ninguém nunca viu
Sabia-se que reluzia
Brilhante como joia
Brinquedo novo...
Eram tantos os usos que lhe atribuíam
Eram tantos os encantos que lhe cobriam
Um brinquedo de gente grande
Peça de colecionador
Descansava num estojo,
Dentro de um saco de veludo encarnado
Protegido por um pano negro
E ninguém nunca viu
Sabia-se existir
Sabia-se guardado, escondido, camuflado,
Falava-se disfarçado
Falava-se proibido
Perigoso
Mas, ninguém nunca viu
Tudo o que falavam
Era pouco, perto do que aquele brinquedo representava
Só ele sabia empunhar,
Portar, usar,
Só ele sabia brincar
E ele não contava pra ninguém
Não mostrava pra ninguém
Não deixava ninguém nem olhar
Era dele e só dele
Um dia, no meio da festa ele sumiu
Ninguém soube ninguém viu
Demorou a voltar
Todos foram procurar
Acharam pelo caminho:
O pano negro, o saco de veludo encarnado
E o estojo vazio abandonado
Logo mais ali na frente
Por detrás daquela mesa
Um largo rastro de sangue
Empoçado, em torno do corpo,
Caído, sem vida, no chão
Na mão algo grande ainda brilhava,
Dois negros canos longos,
A mão ainda segurava
O dedo imóvel apoiado no gatilho
Indicava claramente agora,
O brinquedo de gente grande
Seu uso, seu fim, seu segredo,
Agora encerrado ali,
Transcenderiam juntos;
Dono, brinquedo e história,
E nada mais a contar...
...  nada mais...
... nunca mais...

Vera Celms
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O trabalho BRINQUEDO FINAL de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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