domingo, 24 de fevereiro de 2013

PORTA DO INFERNO





Atrás daquela porta
Tudo é diferente
Não é boa a luz do sol
Ela queima irremediável a pele
O luar não brilha
Faz maior a sombra
Que se esconde na noite
Atrás daquela porta
Uivam os lobos famintos
Perseguindo-nos; as presas,
Mil palavras são mau ditas
Outras tantas maldizem
Ferem e matam
Atrás daquela porta
O sangue escorre invadindo a sala
E o gás penetra a fresta inexorável
Impossível proteger-se aquém da porta
Impossível fugir
Impossível não ver
A porta é só um obstáculo
Imposto
Proposto
Suposto
A única saída para lugar algum
A única entrada de todos os males
O único canal aberto para pedir socorro
Atrás daquela porta
Somente atrás daquela porta...

Vera Celms
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domingo, 17 de fevereiro de 2013

ULTIMA HORA






Pularia agora
Se houvesse em mim
Alguma coragem
Algum motivo pra ir
(Ou se tivesse asas...)
Os limites dessas paredes,
O casarão já emudecido e escuro
O falho alcance da minha visão
A pouca perspectiva
A ausência de sonhos
Os planos que ruíram
As pessoas que partiram
Enlouquecer é tão pouco,
Tão vago !
Quem contará
Quem deporá
Quem voltará
Não importa
Todos estarão lá,
Na ultima fatídica hora
Todos cruzarão o Portal...

Vera Celms
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domingo, 10 de fevereiro de 2013

FOGE





Foge...  não olhe pra trás
Corre, desapareça,
Minha ira é mais ágil que meu pensamento
E minha reação mais provável que meu perdão
Sentidos aguçados
Percepção imediata
A sua respiração me incomodaria
A sua transpiração me irritaria
E se o ouvir gemer, chorar ou reclamar,
Vou querer continuar ouvindo até que desfaleça
Minhas mãos seriam alicates,
Meus braços guindastes
Minhas pernas alavancas
E meus olhos, dois maçaricos
Há um demônio dentro de mim,
Que como animais ameaçados
Não conseguem controlar o instinto
Beberei o que restar de você
E só então dormir novamente
Então foge –
- enquanto é tempo...

Vera Celms

domingo, 3 de fevereiro de 2013

ORA DO BICHO





Meus dias se arrastam
Não são mais como antes
Vinte e quatro horas não são mais
As vezes trinta,
As vezes menos, as vezes mais,
as vezes mais ou menos
Já era ora de voltar para Casa
Os encantos não mais se apresentam
Procuro-os incansável
Nem sempre os encontro
Fastidioso entrave,
Fatídico momento de escolher
Para que lado correr
Neste momento, se correr, o bicho pega
Se ficar, o bicho come...
Melhor deixar o bicho quieto
Afinal, não sabemos ao certo,
o que fará conosco, um bicho nervoso
Já era ora de voltar pra Casa...

Vera Celms
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