domingo, 27 de janeiro de 2013

CORROSIVO



Um amor destrutivo,
Me entreguei,       
Te amei,
Esqueci de mim,
Pra pensar só em você,
Teve, pra mim, palavras tão duras,
Ásperas, grosseiras,
Pontiagudas e cortantes,
Acidas, corrosivas,
Fui tão sua que esqueci de ser minha mesmo
Me desesperei,
Achei que ia morrer,
Quis tantas vezes lancetar meu próprio peito,
Rasgar a fronte,
Pular da ponte,
Quis afogar comigo o que tinha em mim,
Pra que não sobrasse mais pra você,
Quis tomar remédios,
Quis tomar pileque,
Me embebedar gravemente,
Me esquecer,
Quis tomar veneno,
Dividir o formicida com o formigueiro
Mas nem isso tive coragem,
Achei uma bobagem,
Você conseguiu ser mais forte que tudo isso,
Você sobreviveu ao meu amor,
Ao meu horror,
Ao meu torpor,
Ao meu valor,
Se sobrepôs, saiu por cima,
E eu continuo aqui,
Completamente alheia,
Completamente alucinada,
Morrendo de saudade,
Com cicatrizes nos pulsos,
Com seqüelas dos impulsos,
Imaginando, como teria sido sem você,
E só consigo sentir sua falta,
Nada mais,
Você não está aqui,
Como nunca esteve...
Esqueci,
Quando te conheci,
De ver que por mim,
Sentira só entusiasmo...
Corrosivo...

Vera Celms
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domingo, 13 de janeiro de 2013

LUZ QUE NEM RELUZ





Luz que reluz
No brilho do olhar
Reflexo meu.
Por trás dos holofotes,
A sombra ainda assiste
Poderosa, reticente,
Sem pensar partir,
Sem querer ficar,
Luz que reluz
Brilhante como moedas de ouro perdidas
Como joias penhoradas e esquecidas
Como passado
Que vem como ondas de lembranças
E vai aos bofetões, chutado, renegado,
Engavetado, sepultado,
Não mais reluz como luz
Agora pesa como tesouro naufragado,
Trancafiado em alguma caverna da alma
Sem se poder carregar...

Vera Celms
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domingo, 6 de janeiro de 2013

CLAUSTRO




Vidraça fechada impede o vento
Também impede o ar
Mirante perfeito seguro
De onde olho a vida
acontecer lá fora,
Distante, veloz, intensa,
Voos pássaros
Densos lânguidos crepúsculos
Ofegantes amanheceres
Espio o mundo pela ponta dos pés
Segura somente pelas linhas
ancoradas dentro das gavetas
Hermético chaveadas
Esquecer inquestionável inegociável
O cheiro dos demônios
desconhece lacres
Aprendi a gostar das tempestades
Afinal, me entreguei aos fatos
pra poder contar a história
Perdida e abraçada a todas as sensações
Pude sentir vazar a força
Minando todo o chão
Contaminando o ar
Derreando acessos
Senti o tremor dos covardes
E o músculo tencionado dos valentes
O ingênuo olhar dos incautos
E a demência entre dentes dos vis
Tudo tão delineadamente sutil
Delimitadamente hostil
Cerradas portas e janelas
Protegida,
voltei a observar o mundo...

Vera Celms
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