domingo, 29 de dezembro de 2013

TARDE DEMAIS





Trazia no olhar,
A angustia da solidão,
O amargor sem perdão,
A fala meramente decorada
Com peso de uma sentença
Tudo o que dissesse, a partir dali,
Carregaria magoa, rancor,
Já não pensava mais,
Não tinha mais razão,
tudo agora, era emoção,
As palavras teriam  poder de tiro
De uma flecha incendiária,
De um decreto fatal
As reações foram represadas, tempo demais,
Não tinha volta,
Provocado, será um tanque desgovernado,
Silenciado, um louco descontrolado,
Tarde demais, só o tempo dirá...

Vera Celms
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TARDE DEMAIS de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

domingo, 15 de dezembro de 2013

ESQUECIMENTO





Foram tantas palavras duras
Tantas verdades, antes, não ditas
Muita rispidez, guardada fora dos lençóis 
Palavras acidas, situações sórdidas,
Não haviam mais olhares
Não havia mais convívio possível
Também não havia explicação
Onde foi que ruímos?
De repente a canoa encheu, e afundou,
Não houve como remar
Nem como desaguar o barco
Rodamos em funil profundo
Perdemos o rumo e a direção,
Agora sinto a dor da perda, da ausência
Quero voltar e não há pra onde,
Não suporto estar sem você
Não sei o que dói mais,
Se o mal ou o antídoto,
Se o inferno ou o esquecimento...

Vera Celms
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

POR UM TRIZ






Ouço vozes sinistras
Discussões intermináveis
Alguém digladiando
Sem saber com quem
Adolescente, criança crescente
Conturbações, deturpações,
Confusões,
A imensa vontade de ouvir a si
E todas as vozes gritam
Tantas vozes, numa só,
O tempo todo...
Brigas, dúvidas divididas, dívidas
Assuntos pendentes,
Situações não resolvidas
Soluções não encontradas
Cobradas,
E essas vozes, não param,
Dizem-me o que fazer e por onde ir
Impedem-me o silencio,
Afastam de mim a solidão,
Sem me oferecer companhia,
Sem me permitir saídas,
Sinto a lucidez escapar,
O equilíbrio faltar
O bom senso escapar,
Evito o contato,
Isolo minha loucura
Proteção
Não sei mais como,
Não sei por onde,
O caminho é estreito e incerto,
Longo, e escuro,
Estou só,
Não me perguntem mais nada,
Não tenho respostas, nem certezas,
Mantenho o peito aberto,
As defesas baixas,
E a razão por um fio,
Só não me provoquem...

Vera Celms
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domingo, 1 de dezembro de 2013

NA SOMBRA, LUZ





Não quero ser a sombra
Do amor que morreu em lágrimas
Do sacrifício sufocado,
Da voz calada e apagada,
Esganiçada e chorosa,
Do olhar que procura horizonte a fora
E nada encontra, nem ninguém,
Não quero ser o desejo natimorto
Enlutado e triste
Correndo desesperado
Atrás da importância perdida
Não quero ser sombra,
De alguém que assentou-se no meu lugar
Que abraçou aquele a quem eu amava
Que embebedou-se, dos beijos que eram meus
De alguém que chegou como sombra,
Enganando a todos,
Rainha no meu reino; roubado,
Não quero ser sombra,
Na sombra, sou eu a luz...

Vera Celms

domingo, 24 de novembro de 2013

INDECENTES JUÍZES




Tudo ali era escuro, frio,
Até o vento, soprava mais gélido
vestido de negro,
Cheirando a fumaça, de escombros
As janelas, abertas para o nada
Faziam lembrar tragédias,
Gritos, gemidos, dor,
Horror estampado em todos os olhares
Feridos ou não,
Todos doíam,
Todos sofriam
Cada um a seu modo, todos choravam
Doíam de si, de mãos atadas,
Tragédia anunciada pelo destino
Traçada pelo acaso
Avalizada pela crueldade
Juízo implacável, de indecentes juízes,
Que moral pode ter um algoz?
Judiar pela satisfação de “instintos”
Prazer mórbido, lúgubre, tácito,
Cena assistida por detrás das cortinas,
Espiada, escondida, velada,
Aplausos masoquistas, como chicotes,
Sangram a pele, após tiradas as vestes,
Contemplando o corpo salgando-se em si,
Agonizando, pedindo clemência,
Chorando, definhando,
Mero expectador
Deixando-se chicotear, por pura inércia,
Doendo e chorando,
E pedindo paz...

Vera Celms
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O trabalho INDECENTES JUÍZES de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 17 de novembro de 2013

RESTOS MORTAIS





É no momento em que as lembranças,
viram passado, morto, encerrado,
Que deveriam cair sobre ele (passado),
pesos dilacerantes,
Fatais, letais, imobilizantes,
Resolutos, decisivos,
Mas, apesar de todos os esforços,
Ele respira, ofega,
E teima em revisitar, viver no presente,
Deveria ser como lagostas,
Servidas frescas, vivas...
Mas, insistimos em conservá-lo em sal,
Formol, que lhe mantém a forma,
Ainda que sem viço, sem gosto, sem graça, sem glamour,
Insistimos em manter, como velhas gomas de mascar,
Inerte, insípido, no canto da boca,
Ruminantes,
Deixamos afinal, em cada cena vivida, um de nós,
Depois, nos supomos capazes,
de reunir todos num só, novamente...
Vamos assim, deixando pedaços de nós, pelo caminho,
Não chegando inteiros, a lugar algum,
Deve ser por isso, que só enterram de nós, os restos mortais...

Vera Celms