domingo, 9 de dezembro de 2012

A HORA É CERTA


Tratou com a vida a morte certa,
Tratou a morte com indiferença,
Achava que ela chegava só em casa incerta,
Daquele amigo sem crença,
Ou na casa do vizinho, ou do vizinho dele,
Não lembrou poder ser ele,
Doença, desastre, morte?
É falta de sorte,
Mas a de todos está marcada,
Até a patroa fica na mão se for na casa da empregada,
Dura esta velha senhora de negro
Pra ela tudo é efêmero...
Chega, nem bate, recolhe e sai...
Leva consigo o velho, o filho ou o pai...
Todo mundo é todo mundo,
De empresário a vagabundo,
Difícil é sair com a mão abanando,
E quando vai, todo mundo fica chorando,
Resistente, reticente, impiedosa,
Inflexível deixa a família queixosa...
Pode ser de susto ou com rastro de sangue,
Pode levar muito tempo ou só um instante,
Ninguém escapa desta presença sorrateira,
Ou virando a esquina ou de plantão na cabeceira,
Ela estará sempre lá,
Sem negociação, não tem como protelá...
Chega a qualquer momento,
Não escolhe por sentimento,
Causa tanto aborrecimento,
Deixa todo mundo desolado,
Em pânico, desesperado,
Quando chega o momento, todo mundo vê a senhora,
Chegando ao longe, devagar ou em cima da hora,
Tem quem pede: chega, mata e leva embora,
Quem discute, pode ser carregado da vida pra fora,
E aí pode ficar machucado...
Depois diz que sofreu, que foi até torturado...
O melhor é não espernear,
Deita, fecha os olhos, com calma ou de sopetão,
É que pra essa viagem não se leva nem bagagem de mão...
Não dá tempo de retrucar,
E também não dá pra voltar...
Ela chega, mata e foge...
E LEVA... 

Vera Celms
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O trabalho A HORA É CERTA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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