domingo, 11 de novembro de 2012

NO MESMO BAR




Caso queira me encontrar,
Hoje, estarei no mesmo bar

À mesa de sempre,

Em solene silêncio mórbido e distante

Enroscada em vários vãos vagos pensamentos

Quero saborear minha nostalgia

Quero dar o braço a saudade

Pedirei o mesmo destilado de sempre

E ainda que nem prove

O copo estará ali, compondo a cena

Quero culpar-me

Inocentar-me

Chicotear-me e flagelar-me

Sentir dó de mim

Tão larga e amplamente,

Que o vizinho reclamará do silêncio

de um lugar inundado

A musica continuará sendo a mesma

Tocando dentro da minha cabeça

Mas, estarei lá...

No mesmo bar...

Compondo o cenário

Dizendo a todo mundo,

que ali morreu de saudade alguém triste

soturno, decadente e mórbido

Quero que as lágrimas caiam por si

Não farei força alguma para que venham

Nem tão pouco para que não venham

Deixarei o tempo tomar conta

E ainda que sinta dó de mim,

Deixarei o tempo passar correndo,

pelos ponteiros  do longínquo relógio,

que tanto marca o tempo de lembrar

como o tempo de esquecer

Chorar pode não adiantar,

Mas faz parte da minha cena, da minha vida,

É só assim que poderei beber minha mágoa,

Até a ultima gota

Meu ressentimento todo,

Minha saudade, sentimento

A tua ausência

Só assim terei você tão perto,

Tão dentro, tão meu,

Só pra mim...

Ainda que seja somente mais uma alucinação.

Diante de todos, 
-    ... que só meus olhos veem.



Vera Celms
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