domingo, 25 de novembro de 2012

BRINQUEDOS GUARDADOS





Silencio!
A casa está escura
Portas e janelas fechadas
Não se ouve mais as brincadeiras
Todos dormem, ou
O esconde-esconde não acabou,
Continuo batendo cara?
-     Conto baixinho
1, 2, 3...   - 
Silencio!
Os brinquedos todos guardados
A grande caixa, cheia, no canto descansa,
O quintal coberto por folhas mortas
Conta que um dia já foi feliz
No varal pequenas meias penduradas
Esquecidas, contam que a casa é de crianças,
Não há risos, nem correria,
Não há choro, nem gritaria,
Não há mais crianças aqui,
Lá dentro lembranças se agitam por todo lado
Não permitem dormir
Não permitem sorrir
Este ano acabou de repente
Não haverão mais Natais,
Muito vai demorar
até para o sol voltar a raiar...
As crianças não mais vivem, aqui...

Vera Celms
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domingo, 18 de novembro de 2012

PEQUENO “POBRE DIABO”





Precisamos de uma pequena cova
Funda, ainda que pequena,

Num lugar onde os corvos não vão

Nem os urubus,

Onde as aranhas não procriem

Nem os ratos ,

Precisamos talvez, da sombra de uma arvore

ou mais

Um lugar onde se possa fazer piqueniques

em família, trazer brinquedos,

De onde se possa ouvir as brincadeiras

Sem lápide, sem cruzes,

Talvez um pé de flor, ou de fruta,

Sinalizando o ponto exato,

Impedindo o pisoteamento,

Um lugar tranquilo,

onde o vento corra brincando

sem assoviar,

Onde o sol chegue nutrindo o solo,

Sem esturricar, nem a terra ressecar,

Precisamos de uma pequena cova

Para sepultar um amigo,

Um infante amigo mau nascido,

Doente, mau criado, e mau lembrado,

Um pequeno “pobre diabo”...  mal parido...



Vera Celms
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domingo, 11 de novembro de 2012

NO MESMO BAR




Caso queira me encontrar,
Hoje, estarei no mesmo bar

À mesa de sempre,

Em solene silêncio mórbido e distante

Enroscada em vários vãos vagos pensamentos

Quero saborear minha nostalgia

Quero dar o braço a saudade

Pedirei o mesmo destilado de sempre

E ainda que nem prove

O copo estará ali, compondo a cena

Quero culpar-me

Inocentar-me

Chicotear-me e flagelar-me

Sentir dó de mim

Tão larga e amplamente,

Que o vizinho reclamará do silêncio

de um lugar inundado

A musica continuará sendo a mesma

Tocando dentro da minha cabeça

Mas, estarei lá...

No mesmo bar...

Compondo o cenário

Dizendo a todo mundo,

que ali morreu de saudade alguém triste

soturno, decadente e mórbido

Quero que as lágrimas caiam por si

Não farei força alguma para que venham

Nem tão pouco para que não venham

Deixarei o tempo tomar conta

E ainda que sinta dó de mim,

Deixarei o tempo passar correndo,

pelos ponteiros  do longínquo relógio,

que tanto marca o tempo de lembrar

como o tempo de esquecer

Chorar pode não adiantar,

Mas faz parte da minha cena, da minha vida,

É só assim que poderei beber minha mágoa,

Até a ultima gota

Meu ressentimento todo,

Minha saudade, sentimento

A tua ausência

Só assim terei você tão perto,

Tão dentro, tão meu,

Só pra mim...

Ainda que seja somente mais uma alucinação.

Diante de todos, 
-    ... que só meus olhos veem.



Vera Celms
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domingo, 4 de novembro de 2012

QUEDA PARA O ASFALTO





A ameaça é real
Cair ou pular da janela
Passa a ser retórica
O que importa é o final
Do alto, todo corpo é pequeno
No chão, o desfecho é fatal
A respiração não mais se nota
Movimentos inexistem
A vida se esvai
Como fumaça
Como pensamento
Como imaginação, que furtiva vai...
O impulso passa a ser só mais um impulso
A mão que derruba,
Ou o corpo que cai
Lei da Gravidade...
O fim é só um: o asfalto,
E não adianta pedir
Nem orar,
Nem chorar,
Tarde demais...

Vera Celms
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