domingo, 16 de setembro de 2012

DESCULPAS AS CEGAS




Mais uma vez escondida
Sob as vestes da autocompaixão
Ardendo de dó e culpa
Relembrando ponto a ponto,
o que mais queria esquecer
Sei que derrubei todas as cercas
Sei que invadi todos os terrenos
Derrubei todo o cristal
Quebrei as vidraças e lâmpadas
Como também sei,
que nem queres olhar pra mim
Abraçada a tua ausência,
Tento contar pra minha solidão
que terá de me carregar por muito tempo
O caminho será longo,
Árduo, íngreme, sinuoso,
O perigo faz parte do cenário
Em cada despenhadeiro que se oferece isento
Em cada beco que se forma,
como bolsões de choro sob meus olhos
No meu sonho não há mais jardins
As nuvens pesaram e se eletrificaram
O sol saiu a francesa pra não discutir com a tempestade
E começou a ventania
Tirou tudo do lugar
E antes que caia o cenário; d e s c u l p a – m e ...
Ainda que não ouça,
Ainda que jamais me desculpe
Mesmo sabendo que jamais me verá
Só o teu perdão me devolveria o ar...

Vera Celms
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O trabalho DESCULPAS AS CEGAS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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