domingo, 26 de agosto de 2012

MUITO ALÉM




Atrás de grossas cortinas
Longas distancias
Janelas fechadas
Estar só é ilusão
É sensação
Energias que se cruzam
Humores se manifestam
Rumores
Temores
Tremores
Por cima dos muros
Por baixo das portas
Diante dos olhos
Ainda que não acreditemos
Tudo pode acontecer
Sofrimentos leem-se raiva
Amores, mágoas
Cismas, perseguição
A cegueira da escuridão
Da alma, do corpo a visão
Com o medo capitão
A espada na mão
Ameaça, sofreguidão
Lutar não é tudo
Não sem acreditar
Fé...
Não importa de onde,
Nem do quê...
Importa é só acreditar
Que tudo pode passar...
E não passa nunca...

Vera Celms
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O trabalho MUITO ALÉM de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 19 de agosto de 2012

A CERCA



Com os portões fechados
Difícil ultrapassar a cerca
Eletricidade em toda a extensão
Cães vigiam, furiosos
Talvez famintos, como eu
Nada conseguirá distraí-los
A não ser o mesmo pedaço de alimento
Que me demoveria da idéia de transpor a cerca
Rezar não me acalma o estômago
Talvez se morresse,
Morrer não me acalma a alma
Meio passo entre a valentia e a coragem
Entre o saciar e o ser saciado
Incomodam-me meus pensamentos
No que mais posso pensar,
Que fique entre eu e o inimigo?
Entre nós, a cerca, intransponível
E nada capaz
Nada voraz o suficiente
É deprimente
Sentar e esperar
O tempo passar
O dia acabar
Nenhuma idéia, nenhum plano,
Talvez o inimigo desista
Quem sabe adormeça
Ou eu enlouqueça
Antes de desistir
Ou sucumbir...

Vera Celms
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A obra A CERCA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 12 de agosto de 2012

SUPLÍCIO OU ESQUECIMENTO?

                                                               foto colhida na Internet

Olhar lá fora e não reconhecer o mundo
Em torno de você, paredes imensas,
Cômodos vazios,
Janelas fechadas não te permitem a luz
O sol não pode entrar
O frio é glacial
Na pele e na alma
O eco é o que de você bate no limite
e volta monstruoso, derrubando a paz
Chorar não resolve
Desesperar-se não adianta
Gritar, ninguém ouviria
Rezar é a única esperança
Perdido no meio de tanto vazio
A sua fé te pergunta quem és
As suas crenças não puderam entrar
Como o sol, que vai se escondendo lentamente
Deitando diante da boca da noite, a bocejar
Em instantes será engolido ou terá dormido
Num lugar como esse, os deuses questionam
Olham sem se deter
Agora é você e o vazio
Não há pra onde correr, nem porquê...
Se observar atentamente
Sentirá o gosto amargo, o torpor,
Das lembranças mais ocultas
Dos pecados inesquecíveis que esqueceu
No meio da escuridão,
Fazem barulho todos os erros,
Todas as culpas pesam
Não há a quem pedir perdão
Por um momento a encruzilhada
O suplicio ou o esquecimento?
Não há como escolher,
Sem razão, sem forças, sem opção,
Só te resta tentar dormir
Torcendo para que seja só mais um pesadelo...

Vera Celms
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domingo, 5 de agosto de 2012

ASSUNTO ENTERRADO



Aonde tem andado?
Porque foges de mim?
Acaso não é doce meu beijo?
Abra os olhos
E verá os meus em busca dos seus
Ávidos, intensos,
Sinta o suor nas minhas mãos
Qui-lo um dia, o tive por anos
Partiu num repente,
Eu devia ter notado
Primeiro foi se afastando
Me dizendo assim que não mais se importava
Mudou a direção, novo rumo,
Sumiu, meu bem, você fugiu!
Deixou tudo pra trás
Historia, pecados,
Levantou acampamento ,
Armou tenda em outro terreiro
Delimitou novos espaços
Cercou, farpou todas as passagens
Mas, eu passei...
Aonde tem andado?
Porque foges de mim?
Acaso não é doce meu beijo?
ou teme reconhecer o gosto
do seu sangue na minha língua?

Vera Celms
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