domingo, 8 de julho de 2012

MEMORIA APAGADA



Sonhos espalhados pelo chão
O vento de tempestade carrega a todos
Como imensos rolos de poeira
De um lado para o outro,
Sem cerimônia ou respeito
Sonhos de todos nos
Que em instantes estarão molhados
Encharcados, inundados, afogados,
Restos desvalidos, sonhos sucateados
Sem importância, sem dono, sem saída
Sem nenhuma definição
Sem mais lembranças
Só um duro e amargo gosto de solidão,  de morte,
Incomoda na língua, fazendo-nos engasgar
Nada mais será igual, nunca mais
Perdemos os sonhos,
Desaprendemos o projeto
Esquecemos de nós
Não planejamos mais nada
O vento carregou tudo pra bem longe
E a chuva, desavisada e impiedosa,
A tudo lavou,
apagou a memória toda,
Encharcou, escondeu nos bueiros,
No subsolo da vida,
E partiu pra um outro lugar
onde os sonhos ainda rolam,
pelas ruas... sozinhos,
desprendidos e sozinhos...

Vera Celms
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O trabalho MEMORIA APAGADA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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