domingo, 15 de julho de 2012

HERÓIS SUICIDAS



Precipícios, grutas e destinos
Janelas abertas avarandadas
Portas abertas para o nada
Elevadores de negros poços profundos
Paisagem aberta para o infinito vazio
Sonhos sem lembranças
Dores sem heranças
Pesadelos de crianças
Esquecemos uma grande alegria
Não apagamos uma grande decepção
Fundo, estreito e escuro
É o abismo que ladeia o mundo
Olhar para o outro lado
É como enfrentar o medo, sem fitá-lo
Os olhos da Medusa não dormiram
E os de Perseu, astutos persistiram
Heróis morrem de overdose
De fantasia, de confiança, de vaidade
Heróis são mortais iludidos
Respiram, morrem em vida,  
Mentem, simulam e dissimulam
Perdem o campo de força, a aura, a idolatria
Suicidas, pulam em seus próprios sonhos
Perdem-se em projetos ambiciosos
Desdenhosos
Não vestem luto,
Não fraquejam, não desistem,
Não usam vestido de festa,
Nem lantejoulas, nem paetês,
Não comemoram, não deliram,
Valentes , até o final, chorosos
Perdem o melhor da festa de premiação
Pelo embaçamento de rasos olhos
Jamais fraqueza ou derrota assumirão
Só a ausência do aplauso da plateia, sucumbirão...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho HERÓIS SUICIDAS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário