domingo, 29 de julho de 2012

INERTES




Junto ao corpo
O rosto pálido
Não esboçava expressão
Era só mais um corpo inerte
Ao lado do corpo nu
As roupas testemunhavam
Rasgadas, manchadas
Esquecidas, por todo lado jogadas
Desolação, inconformação
Dois corpos ali prostrados
Silencio resignado
O mundo ali acabado
História de amor sem final
Viajante desarmado e sem bornal
Memórias que se acumulam
Como jornais ou cartas
Como paginas misturadas
de um enredo de folhas voadas
no vento perdidas
na história escondidas
No canto dos olhos
Dela, uma lagrima brotada
Dele, no desespero fabricada
Uma transbordada
Outra dentre os dentes cerrados vazada
Uma doce do corpo sem vida
Outra amargo sentimento da vida
Ela procurava a saída
Ele o culpado
Uma resposta, um motivo,
Para tamanha atrocidade
Para continuar vivendo...

Vera Celms

domingo, 22 de julho de 2012

SENTENCIADO


Contar histórias
Fantasiar realidades
Ilusão, ocultação,
Mascaras e imposições,
Momento exato
Hora marcada
Não há fuga possível
De um lado o inimigo
De outro o precipício
O céu se fecha sepulcro
E o chão se abre inferno
Entre intenção e gesto
A mão é um decreto
Armado, preciso, impiedoso
Não há fuga nem retorno
A esquerda, sobre o ombro
Móvel vigilante decrépita imagem
A direita, branca ausência atroz
Cabeça desnorteada gira, aflita procura
Nenhuma reza
Fé em quê?
Tantas crenças, nenhum horizonte
Nada mais, nem por onde,
Draga-lhe o chão
Consome-lhe a chama
Num momento um desesperado
No seguinte resto mortal incendiado
Jogado ao vento
Afinal livre
Revoam os corvos...

Vera Celms
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domingo, 15 de julho de 2012

HERÓIS SUICIDAS



Precipícios, grutas e destinos
Janelas abertas avarandadas
Portas abertas para o nada
Elevadores de negros poços profundos
Paisagem aberta para o infinito vazio
Sonhos sem lembranças
Dores sem heranças
Pesadelos de crianças
Esquecemos uma grande alegria
Não apagamos uma grande decepção
Fundo, estreito e escuro
É o abismo que ladeia o mundo
Olhar para o outro lado
É como enfrentar o medo, sem fitá-lo
Os olhos da Medusa não dormiram
E os de Perseu, astutos persistiram
Heróis morrem de overdose
De fantasia, de confiança, de vaidade
Heróis são mortais iludidos
Respiram, morrem em vida,  
Mentem, simulam e dissimulam
Perdem o campo de força, a aura, a idolatria
Suicidas, pulam em seus próprios sonhos
Perdem-se em projetos ambiciosos
Desdenhosos
Não vestem luto,
Não fraquejam, não desistem,
Não usam vestido de festa,
Nem lantejoulas, nem paetês,
Não comemoram, não deliram,
Valentes , até o final, chorosos
Perdem o melhor da festa de premiação
Pelo embaçamento de rasos olhos
Jamais fraqueza ou derrota assumirão
Só a ausência do aplauso da plateia, sucumbirão...

Vera Celms
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domingo, 8 de julho de 2012

MEMORIA APAGADA



Sonhos espalhados pelo chão
O vento de tempestade carrega a todos
Como imensos rolos de poeira
De um lado para o outro,
Sem cerimônia ou respeito
Sonhos de todos nos
Que em instantes estarão molhados
Encharcados, inundados, afogados,
Restos desvalidos, sonhos sucateados
Sem importância, sem dono, sem saída
Sem nenhuma definição
Sem mais lembranças
Só um duro e amargo gosto de solidão,  de morte,
Incomoda na língua, fazendo-nos engasgar
Nada mais será igual, nunca mais
Perdemos os sonhos,
Desaprendemos o projeto
Esquecemos de nós
Não planejamos mais nada
O vento carregou tudo pra bem longe
E a chuva, desavisada e impiedosa,
A tudo lavou,
apagou a memória toda,
Encharcou, escondeu nos bueiros,
No subsolo da vida,
E partiu pra um outro lugar
onde os sonhos ainda rolam,
pelas ruas... sozinhos,
desprendidos e sozinhos...

Vera Celms
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domingo, 1 de julho de 2012

VIR, VER E VOLTAR



Missão, só missão...
Falsário de vidas
Encantador de almas
Simulador de emoções
Encontros marcados
Desencontros sugestivos
Enganos montados
Peça a peça, movimento a movimento
Conquista delicada
Presa arrebatada
Confiança traída
Marcas de sangue por todo lado
Fuga estratégica sonhada
Sem pistas...
Veio, viu e voltou...


Vera Celms
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