domingo, 24 de junho de 2012

VITORIA SANGRENTA




Nervosa,
Com os sensores em brasas,
Sabia que tinha de fazer afinal,
Ninguém além de mim,
Poderia ter mais motivos,
Para querer esse final...
Já podia imaginar a cores,
Os espasmos ensangüentados daquele verme,
Tantas foram as noites de abandono,
Tantos foram os motivos,
Prantos, dores,
E o prazer estampado em seus olhos,
Quantas cicatrizes não me lembram
aqueles momentos,
Dor, sofreguidão, desespero,
Na noite escura, fria, e solitária,
Meu choro era um uivo perdido,
Desconsolável,
Na madrugada vazia,
Ali, amarrada, amordaçada, faminta,
Não queria me lembrar de tantos horrores,
Mas, impossível esquecer simplesmente,
Era um monstro muito maior
Maior do que minha vontade de esquecer,
Do que minha capacidade de perdoar,
Não adiantava,
O rancor doía em meus olhos,
Eriçava minha pele,
O mesmo sentimento,
O mesmo forte pulsar cadenciado,
A mesma ânsia,
O mesmo tom, grave e pausado nas palavras
Murmuradas como uma maldição,
Com o peso de um terremoto,
Os escombros todos diante dos meus olhos,
Agora era inevitável,
Era ele ou eu,
Dessa vez, a vingança era iminente...
A vitoria sangrenta,
Escondida na escuridão,
Silenciosa, trêmula,
Arma em punho, lâmina preparada,
Acordei de novo...

Vera Celms
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O trabalho VITORIA SANGRENTA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada

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