domingo, 10 de junho de 2012

SALTANDO TUMBAS


Saltar as tumbas
Covas abertas,
acumulam a água da chuva,
que reflete o céu enegrecido
Cheiro de flores mortas molhadas
Lagrimas por todos os lados
Fisionomias contorcidas de dor
Saltar as tumbas
Visão endurecida dos portais de saída
Terra molhada pisoteada
descansa sob as ferramentas,
aguardando o caixão a ser coberto
Tudo repousa em compasso de espera
Os videntes veriam as almas enfileiradas,
esperando o próximo a chegar
Almas não resgatadas são levadas
Para o umbral, para o submundo astral
Algumas velas resistem acesas,
protegidas por invenções improvisadas
Saltando tumbas
Imaginando enredos
Com o vento frio fazendo côrte a pele
Consternação flanando entre os túmulos
Espiando os ressentidos
Consolando os desolados
Tantos seres sós, enxergam o portal aberto
Permanentemente aberto,
convidando a travessia
Saltando tumbas
Lembrei que a vida continua,
Amanhã...

Vera Celms
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O trabalho SALTANDO TUMBAS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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