domingo, 27 de maio de 2012

JURO



Madrugada silenciada
Pelos passos no corredor
Subindo escadas
O medo atento, frequenta o quarto
Esconderijo amordaçado
A oração pede socorro
E a voz pede ausência
O chicote, o cano duplo, a bofetada
O estômago faz ronco ecoado
Na garganta árida
Olhos estalados não dormem
A dor sangra latejando
Madrugada silenciada
Por memórias recentes
A tocaia, o flagrante encapuzado
Mascarado valente armado
Amordaçada, encapuzada
Porta-malas, mãos pra trás amarradas
Pés atados ou doem, ou dormem
Algoz sem rosto, sem voz,
Se um dia sair do cativeiro,
Eu juro...  (se ainda souber jurar)
Que vou chorar...

Vera Celms

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