domingo, 13 de maio de 2012

ARISTIDES ELETROCUTADO



Pele ainda quente chamuscada
Veia murcha, escura, ressecada
Olhar esbugalhado, fixo na estrada
Historia conhecida por toda mulherada
Contava a história que o fio chicoteava
Noite escura, tempestade; ventava
Rompido fio, caiu na via movimentada
Aristides, gaúcho valente, de medo não se dobrava
Bebia de dia e de noite; o macho cambaleava
Não exitou, sabia que algo fazer precisava
Tirou do bolso um lenço e a mão enrolara
Decidido foi rumo a esquina da encruzilhada
Protegeu o rosto com a mão levantada
Abaixou-se e certeiro parou do fio a chicoteada
O que veio a seguir, se contasse, ninguém acreditava
A carga elétrica seu corpo atravessara
Sua língua desenrolada,
mais parecia uma gravata
E ali mesmo ficou, com sua valentia estrebuchada,
Tudo parou, cessou o perigo, de vida mais nada
Prostrado herói, corpo ressequido fumegava,
Compaixão, choradeira, multidão estupefata
Ninguém acreditava,
Aristides, gaucho valente, se eletrocutara...

Vera Celms
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O trabalho ARISTIDES ELETROCUTADO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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