domingo, 11 de março de 2012

NUNCA MAIS


De repente o chão foi se abrindo
Deixando o calor escapar
As luzes foram ficando intensas
E o horizonte cobriu-se de brasas
Vivas, incandescentes, vorazes
Num momento a terra era terra
No seguinte, a terra era fogo
Que aquecia o ar
Deixando irrespirável, invisível
As retinas queimadas
A pele ardendo
Num momento eu era uma mulher
No seguinte eu era fêmea
do mais profundo solo
das chamas, do inferno...
Meu pensamento já não era humano
Meu aspecto não era humano
Num momento eu andava sobre a terra
E fugia do perigo
No seguinte, eu desafiava todas as coisas
Em voos rasantes ou rastejando
O ar cheirava a enxofre
O céu agora era uma imensa massa acinzentada
E as densas partículas de lavas
Formavam uma espécie de chuva,
mais parecendo nuvem de insetos
Nada era mais como era
Aos poucos, meus olhos se fecharam
Entregando-se ao profundo sono
E senti-me ser levada por imensos seres alados
Dragões, demônios, não sei...
A Terra, nunca mais...

Vera Celms

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